H O M I N I N I

O nome Hominini está relacionado à evolução do homem, à algo que não se extinguiu, que ainda está em circulação, em movimento.
Essa questão do homem em evolução é gancho para o novo trabalho do fotógrafo Lucas Lenci exposto na Galeria ArtEEdições em São Paulo.

Hominini faz um contraponto ao seu anterior, Desaudio. Para entender Hominini, precisamos olhar um pouco para trás. Em seu primeiro fotolivro, que nasceu depois de uma exposição, Lenci enalteceu as paisagens, o silêncio era encontrado em meio ao caos da vida atual. Um chamado à reflexão e à contemplação do mundo em si. O espaço era o protagonista e o ser humano apenas um coadjuvante da cena. Em Hominini não. O homem é o sujeito principal. Seu comportamento em meio à cidade, em seu habitat e seu posicionamento é o objeto central a ser observado.

As fotografias que compõem a exposição e o pequeno fotolivro homônimo nos instigam a olhar os personagens. Muitas vezes de costas, de perfil, andando, correndo, capturados. Espontaneamente flagrados pelo novo fotógrafo de rua. Que além do jogo de luz, sombra e silhuetas divide espaço com composições inusitadas, provocantes. Em diversas fotografias não se tem a visão do todo, do espaço total, apenas o homem em meio ao urbanismo da cidade, seja ele entrando em meio às árvores de um parque, em uma parede de luminosos, pela divertida distorção causada por uma obra de Anish Kapoor em Chicago e a ilusão do homem enjaulado em um zoológico, que o fotógrafo propõe ao enquadrar um grupo de turistas de uma perspectiva diferente.

Hominini traz além das fotografias "puras", 3 interessantes composições de fotografias panorâmicas, divididas em camadas, em andares (como o autor sugere nos títulos) de pessoas caminhando ao encontro aos espaços geométricos criados pelo fotógrafo com o fundo das calçadas de rua, das escadarias e muros. Criando novos desenhos, novas repetições, sempre com distanciamento peculiar. As fotos destacam indivíduos aparentemente absortos em seus próprios mundos. Alheios ao ambiente externo coletivo que se encontram.

O livro em pequeno formato propõe rupturas, quebras nas fotografias que são continuadas em páginas posteriores o que também enaltece a repetição do tema. Junto ao livreto, existem 16 pranchas soltas das fotografias expostas, o que o torna lúdico, pois as fotos saem do livro em seu formato tradicional, para uma divertida brincadeira de composição.

Hominini revela um discurso maduro e contemporâneo do trabalho de Lucas Lenci, como sua fotografia ultrapassa a camada da beleza estética e provoca uma reflexão maior sobre o homem, o espaço e o tempo.